Antes de
sentir-se chocado, pare e preste atenção na foto. Extraia dela
um momento de lucidez para sua própria vida. A cena é
triste, mas nela também pode-se ver muitas outras coisas. A
lente do fotografo captou mais que um momento comovente. Um
abutre observa, esperando o momento desta alma se entregar
definitivamente. NÃO, a criança não está morta. Seu corpo
fraco, desnutrido, ainda porta uma chama de esperança. Implora
bem menos que nós, diante de nossos abutres de brinquedo.
Talvez mais cinco minutos de vida. Talvez que um anjo
desconhecido com uma câmera fotográfica na mão, que chute
esse abutre e lhe dá a certeza de que vale a pena ter esperança.
Ela não tem um Deus dogmático, fé escrita nem nada a que
possa se agarrar para espantar o abutre que a espreita. Tem
dentro de si apenas um coração de criança. Tem ainda dentro
de si a vida. E o abutre respeita porque na natureza,
alimenta-se dos que se entregam. Nada pode contra a vontade de
viver...
Texto
dedicado a todos que reclamam da vida fartando-se dela...